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quinta-feira, 13 de março de 2014

Prece de Cáritas - breve análise - Contida no Livro Ciência Cósmica - Luiz Guilherme Marques.


Este Livro estará disponível em e-book (formato epub) em breve e, poderá ser baixado gratuitamente




 PEDIDOS EM FAVOR DOS OUTROS
         "Se formos analisar literalmente o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e a “Prece de Francisco de Assis”, veremos que nelas não há nenhum pedido explícito em favor dos outros, todavia, na “Prece de Cáritas” sim.
         Comentaremos ligeiramente cada um dos seus tópicos:
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade,
dai a força àquele que passa pela provação,
         As expiações, provações e missões exigem de cada Espírito muita determinação em continuar adiante, havendo momentos de insegurança e fragilidade. Chico Xavier mesmo dizia que havia dias em que parecia que iria enlouquecer. Todos, indistintamente, são submetidos ao aprendizado, conforme seu nível evolutivo, o qual apresenta lições de certa dificuldade. Por isso, devemos pedir em favor dos outros a “força” necessária para continuarem evoluindo.
dai a luz àquele que procura a verdade;
Jesus falou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, na qualidade de Médium de Deus, portanto, autorizado pelo Pai Celestial. Quem procura Jesus, na própria pessoa d’Ele ou de algum dos Seus discípulos, merece receber a luz do conhecimento espiritual. Trata-se de outro pedido em favor dos que são sinceros na procura de Deus.
ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!
         A Compaixão representa o sentimento de benevolência geral e a Caridade é mais direta no sentido de beneficiarmos os demais seres. Esses pedidos devem ser formulados em favor de todos, para que se transformem de egoístas em desapegados, de orgulhosos em humildes e de vaidosos em simples, pois, somente assim, serão felizes, realizando no Bem.

Deus, dai ao viajor a estrela guia,
         Todos são viajores da evolução, mas necessitam de uma referência, que é o próprio Divino Mestre, quanto aos habitantes da Terra. Por isso, devemos pedir a Deus que faça nascer no íntimo de cada um a noção de que Jesus é sua “estrela guia”.
ao aflito a consolação,
Jesus prometeu aliviar os aflitos, ou sejam, os que estão inquietos, sendo que o melhor remédio para acalmar as aflições é compreender que “não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o permita” e que a Lei é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Devemos pedir a Deus que console os aflitos fazendo-os compreender que tudo tem uma finalidade construtiva e o cumprimento dos deveres amaina as tempestades interiores e exteriores.
ao doente o repouso.
         As doenças podem ter vários significados: um em Francisco de Assis, outro no paralítico que Jesus curou e que retornou àvida de despautérios e assim por diante. Em alguns a cura pode significar a queda em um abismo mais profundo ainda, enquanto que em outro a oportunidade de servir em uma área diferente, porque a doença não impede ninguém de servir pelo pensamento. O doente em favor de quem pedimos o repouso pode fazer bom ou mau uso desse descanso, seguindo no rumo do Bem ou despencando no Mal. Todavia, devemos pedir sempre que, acima de tudo, seja feita a Vontade Augusta do Pai, que Ama a cada filho e filha Infinitamente.
Pai, dai ao culpado o arrependimento,
         Neste estudo, em que tratamos também da culpa, vem a propósito este tópico da “Prece de Cáritas”: “Pai, dai ao culpado o arrependimento.” Depois de arrepender-se deve confessar suas culpas, da melhor forma que conseguir, como estudamos no item 1, e, por fim, trabalhar no Bem, para pacificar sua consciência e contribuir para a evolução dos outros.
A respeito da profundidade do arrependimento Montaigne dizia: “... para que haja arrependimento, a meu ver, é preciso que nada lhe escape, que atinja as entranhas e que magoe até onde penetra o olhar de Deus.” Ele queria dizer que deve ser profundo e abrangente de todas as facetas da situação que criamos com nossa conduta, representada pela atuação mental ou material. Atentemos para este detalhe, sob pena de não conseguirmos realmente “sarar”, ou seja, evoluir.
ao espírito a verdade,
         Todo Espírito precisa da Verdade, que é Deus, através de Jesus, que é o Caminho para chegarmos ao Pai Celestial.
à criança o guia,
         Toda criança precisa de quem dela cuide e oriente, sobretudo pela exemplificação no Bem, muito mais do que pela mera instrução escolar e encaminhamento para o exercício de uma profissão na idade adulta.
e ao órfão o pai!
         Podemos ser pais ou mães dos filhos e filhas dos outros, pois o parentesco físico não é o mais importante e sim o Amor Universal, que deve repletar o nosso coração. Devemos pedir a Deus que faça nascer no coração de cada um o Amor Universal.
Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes.
         Não devemos pedir em favor apenas dos seres humanos, mas de todos os seres, que Deus criou, desde aqueles que se iniciam na escalada evolutiva até os mais evoluídos, pois a interdependência de todos os seres é total, conforme estabeleceu o Pai, visando a prática do Amor Universal entre todos os Seus filhos e filhas.
Piedade, Senhor,para aqueles que vos não conhecem,
         Os homens e mulheres que procuram ignorar a existência do Pai merecem piedade, pois recusam-se a querer a aproximação de quem mais os Ama, que é Deus, que os criou e sustenta com Seu Pensamento e que, se deixasse de Pensar em qualquer das Suas criaturas, ela simplesmente deixaria de existir a partir daquele momento.
 esperança para aqueles que sofrem.
         Um coração sem esperança é o caminho mais curto para os vícios, o suicídio e o crime. Devemos contribuir para que as pessoas tenham esperança na solução dos seus problemas, caso lhes seja benéfica à própria evolução. Nem sempre a solução melhor para um ser humano é aquela que ele imagina, pois há casos em que os sofrimentos representam a verdadeira prevenção de males maiores. Devemos pedir a Deus que faça cada um compreender o que é melhor para o seu progresso como Espírito imortal.
Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem, por toda a parte, a paz,
         Os Espíritos consoladores são os discípulos de Jesus, que, espalhados por toda a Terra, ensinam, sobretudo através do exemplo, a prática do Bem: eles mostram como é viver bem, ou seja, mesmo no meio das dificuldades mais pungentes, sempre visar o Bem. Assim, vivem em paz e ensinam a Paz.
a esperança
         Os missionários de Jesus transmitem a esperança, porque mostram que todo ser humano pode ser feliz, bastando proceder no Bem.
e, a fé.
         Eles também induzem todos à fé em si próprios, nos demais seres humanos e em Deus: sua vida é um incentivo à fé no Bem.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nasfontes dessa Bondade fecunda e infinita.
         Bebendo nas “fontes dessa Bondade fecunda e infinita”, todos igualmente aprenderão a ser generosos. Note-se que Jesus recusou o qualificativo de Bom, dizendo que apenas Deus o é: aqui encontramos uma referência à Bondade “fecunda”, ou seja, produtiva, e “infinita”, ou seja, inesgotável em benefícios.
e todas as lágrimas secarão,
         Tornando-nos generosos, nossas lágrimas secarão, porque cuidaremos das dores alheias, ao invés de concentrarmos nossa atenção nos problemas muitas vezes insignificantes ou, até, imaginários, que nos apoquentam quando somos egoístas.
todas as dores se acalmarão.
Confiantes em Deus, as dores ganharão uma justificativa e passaremos a aceitá-las como degraus para o nosso progresso intelectual e moral. 
E um só coração, um só pensamento, subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de Amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!,
e queremos, de alguma sorte, merecer a Vossa Divina Misericórdia.
         São palavras de louvor a Deus e fé na Sua Bondade.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós;
         Neste tópico o pedido é em nosso favor, ou seja, “a força para ajudar o progresso”, “a fim de subirmos até Deus”. Esse pedido deve ser estendido aos nossos irmãos e irmãs em humanidade, a fim de que ajudem o progresso geral.
dai-nos a caridade pura,
Outro pedido em nosso favor é o ajudar-nos a adquirir a “Caridade pura”, ou seja, sem “a mão direita saber o que faz a esquerda”. Devemos pedir a Deus que também instile nos corações a “Caridade pura”.
dai-nos a fé e a razão;
         A fé e a razão aparentemente se contrapõem, mas, na verdade, Allan Kardec considerou a irmandade das duas na seguinte afirmação: “Não há inabalável senão aquela capaz de enfrentar a razão face a face em qualquer época da humanidade”.
Devemos pedir a Deus nos dê a fé e a razão na mesma proporção, o mesmo fazendo em favor dos outros.
dai-nos a simplicidade, que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
         É interessante ressaltarmos que a simplicidade foi colocada no ápice das virtudes, pois somente ela nos permite refletir a Perfeição Divina. Não se trata da ingenuidade ou do descaso com o auto aprimoramento intelecto-moral, mas o abandono das vaidades, do desejo de projeção, de evidência sem utilidade para o bem comum.
         A simplicidade é a virtude contrária à vaidade, induzindo-nos a procurar realce apenas quando necessário a “colocar a candeia sobre o candeeiro, a fim de que dê luz a todos os que estão na casa.”

quinta-feira, 6 de março de 2014

QUANDO ME AMEI DE VERDADE - Autora: Kim McMillen & Alison McMillen

QUANDO ME AMEI DE VERDADE

Quando me amei de verdade
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade
pude perceber que o sofrimento
emocional é um sinal de que estou indo
contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar
alguma coisa ou alguém
que ainda não está preparado.
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e – qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.



Autora: Kim McMillen & Alison McMillen
Editora Sextante

A DROGADIÇÃO DOS JOVENS – estratégia das Trevas - Formato PDF para baixar



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A DROGADIÇÃO DOS JOVENS – estratégia das Trevas

INTRODUÇÃO Uma coisa que sempre tem acontecido com as pessoas desajustadas é sua condenação tanto pela Justiça estatal ou religiosa quanto pelo juízo das pessoas que se comprazem em analisar a conduta alheia, numa indébita invasão da privacidade.

ACESSE O SITE DO AUTOR E FAÇA O DOWNLOAD EM PDF.

http://www.luizguilhermemarques.com.br




Ciência Cósmica - Introdução -


INTRODUÇÃO
            "Na Terra, no geral, as pessoas podem ser comparadas aos habitantes de uma ilha, da qual se avistam outras, mas cujo atraso tecnológico não lhes permite se comunicarem, de qualquer forma que seja, com os habitantes dessas outras ilhas e, assim, aqueles primeiros acreditam que a única ilha habitada é a sua e todas as demais são desabitadas.
            A ignorância é a pior das cegueiras, sendo que, por isso, Jesus disse: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.”
            Assim, voltando à realidade dos terráqueos, pensam, no seu geral, que o Universo é vazio e que, tirante a Terra, pequenino grão de areia no Universo infinito, pensam que os demais astros não servem para outra coisa que não seja para enfeitar as noites terrenas, imaginando que a abóbada celeste ficaria pobre sem o brilho das estrelas e dos outros astros que povoam o firmamento noturno.
No fundo, a maioria das pessoas da Terra, se não manifesta explicitamente essa forma de pensar, na verdade assim acredita, ou seja, que o Universo é um imenso vazio, sem sentido, uma pura e simples inutilidade, tal como pensavam,há muitos milênios atrás, os habitantes do Egito antigo, da Atlântida e da Lemúria.
            O primarismo mental da maioria dos terráqueos é entristecedor, porque, mesmo aqueles que ostentam vaidosamente seus diplomas universitários, costumam ser rudimentares no que pertine às grandes realidades universais, ou seja, a Ciência Cósmica, se compararmos esses homens e mulheres com os habitantes, por exemplo, de Marte, Vênus e Saturno, para mencionarmos apenas planetas próximos da Terra em termos evolutivos.
            Todavia, muitos seres desses outros planetas têm reencarnado seguidas vezes na Terra a fim de fazerem-na evoluir intelectual e moralmente, pois esse é um dos deveres dos Espíritos Superiores, tal como aos adultos compete ensinar as crianças a ler e escrever, cuidarem da própria higiene corporal e prepararem-nas para, um dia, assumirem o papel de pessoas adultas.
            A humanidade da Terra é psicologicamente adolescente, quase infantil, pois, tendo à sua disposição, por exemplo, a desintegração atômica, utilizou-a para varrer do mapaHiroshima e Nagasaki; aprendendo a voar com Santos Dumont e os irmãos Wright, bombardeou populações indefesas e, contando atualmente com a Internet, aplica-a na divulgação da pornografia e das futilidades.
            Tratam-se de contribuições de Espíritos provenientes de mundos superiores, como no caso, por exemplo, de Wolfgang Amadeus Mozart, que nasceu na Terra, no século XVIII, para contribuir para a evolução da Música, e, ainda assim, apesar de todo aquele esforço, secundado por Beethoven, Schubert, Chopin e outros, a maioria da humanidade da Terra até hoje prefere os barulhos primitivos, como verdadeiros gorilas humanos, que balançam o corpo ao ritmo dessas verdadeiras anomalias sonoras, que são as músicas de hoje, no seu geral.
            Emissários do Governo Planetário, representado por Jesus, fazem sua trajetória pelo mundo terráqueo, procurando desenvolver todos os ramos da atividade humana, e, agora, neste início do terceiro milênio, muitos Espíritos provenientes de mundos mais evoluídos estão ajudando, como encarnados ou como desencarnados, no esclarecimento desta humanidade, a fim dos terráqueos entenderem que o poder mental é a única verdadeira potência do Espírito na fase humana e que esse poder deve ser treinado, para constituir-se em ferramenta valiosa, porque o primitivismo é tão grande que ainda se utilizam armas ofensivas, pratica-se a corrupção e a maioria vive em função dos interesses mais desprezíveis, resumindo-se sua vida no “comer, dormir e reproduzir”, mesmo quando a aparência requintada tenta encobrir essa triste realidade.
            O Planejamento do Universo não permite que seres moralmente primários ultrapassem determinadas barreiras, pois têm de aprender, primeiro, a enxergar em si mesmos a realidade espiritual e assim também em relação aos demais seres.
Enquanto não entendermos isso, tudo de mais importante nos é interdito, tal como não se entrega as chaves de uma residência a uma criança que mal sabe cuidar de si.
            Nossa tarefa, presentemente, através deste livro e de todas as outras formas de comunicação com os encarnados de boa vontade, é mostrar-lhes que cada ser, seja de que Reino da Natureza for, é um Espírito e que o pensamento, no caso dos seres humanos, deve ser educado, transformando-se em valiosa ferramenta a serviço do progresso, mas isso depende da aquisição das virtudes da humildade, desapego e simplicidade, sem o que qualquer iniciativa tende a inclinar-se para o Mal e Deus “não dá pérolas aos porcos”, apesar, por outro lado, de não deixá-los morrer de inanição.
            Compenetrem-se, prezados irmãos, dessas realidades do Espírito e evoluam para merecerem continuar reencarnando na Terra.
            A Ciência Cósmica é a que Jesus e Seus emissários vêm ensinando na Terra desde tempos imemoriais e outros Espíritos Superiores ensinam em todos os recantos do Universo.
            Essa Ciência não é válida apenas para um mundo em particular, mas aplica-se a todo o Universo, porque a Lei Divina rege todos os seres sem distinção, dos subatômicos aos angelicais, pois todos são feitos da mesma essência divina e evoluem até o infinito, seguindo o mesmo caminho.
            É preciso que os habitantes da Terra aprendam essa Ciência, porque não há mais lugar para separatismos,baseados na pretensa superioridade de uma corrente religiosa ou filosófica, uma vez que qualquer rótulo significa primitivismo e, no caso da Terra, Jesus não autorizou ninguém a instituir qualquer separatismo, mesmo que sob o pretexto de homenageá-l’O.
            Trabalhemos pelo progresso, unindo-nos em torno de Jesus, sob o estandarte do Amor Universal, que não deve circunscrever-se ao mundo terráqueo, mas abranger todo o Universo.
            Quando, por exemplo, olharmos o planeta Vênus, no céu noturno, enviemos nosso pensamento de solidariedade a essa humanidade vizinha e peçamos-lhe ajuda para nossos empreendimentos no Bem.
            Que a bênção de Deus seja compreendida por todos nós, que Lhe devemos render graças e Lhe agradecer pelo dom da Vida."


Um Trem para o Fim do Mundo - Capítulo 1

 homem sempre dominou o mundo. Como se sabe desde o tempo das cavernas. Éramos arrastadas pelos cabelos e fazíamos sexo de quatro como os animais. Verdade? Pouco nos interessa. Sabemos, pois, que atravessamos milênios subservientes e na maioria dos casos servindo às suas necessidades. Vivemos sempre na mais pura obscuridade. Algumas raríssimas exceções destacaram-se eminentemente nas artes, na política, na ciência, mas em geral fomos esposas fiéis, mães dedicadas e exímias donas de casa. O mundo que vivemos é um primor? Pergunto! O domínio do sexo masculino durante toda a existência trouxe qualidade de vida aos seres humanos? O planeta está falido?... O que vocês acham? Os machões erradicaram a miséria, a corrupção, a ganância? Não minhas amigas... Tivemos uma parcela de culpa; porém ínfima, porque nunca tivemos a verdadeira oportunidade. Algumas presidentas e rainhas governando à moda masculina, com opressão e imposição, esqueceram-se que a vida é gerada em seus ventres. Que o alimento sorve de seus seios, que a tolerância e a mansuetude são características do chamado sexo frágil. E as poucas que detiveram o bastão passaram-no aos homens como a conscientizarem-se de sua incapacidade. Minhas amigas..., a hora é agora... Levantar-nos-emos de uma vez por todas ou ficaremos eternamente vendo os homens destruírem o mundo com imposições e atitudes machistas. As portas abrir-se-ão sem dúvida, cabe a nós adentrarmos. Eles já tiveram o seu tempo..., e muito tempo por sinal. Desperdiçaram-no. Demonstraram a incompetência arraigada nos seus músculos, na prepotência de um falo entre as pernas, achando pois que tudo curvar-se-ia diante de sua arrogante masculinidade.
  Dotada de grande beleza e uma inteligência ímpar, Roxane sempre se impôs na vanguarda do pensamento. Destoava das amigas que enfatizavam o penteado, as fofocas e os namoricos. Aos doze anos, no colégio, escreveu um artigo onde o mundo seria governado por mulheres. Uma utopia, um ensaio. Sabia que sociedades radicais e fundamentalistas estariam longe, muito longe de vivenciarem tais mudanças. Mas sabia, contudo, que se a semente não começasse a ser lançada, talvez, centenas ou milhares de anos à frente o mundo seria mera cópia do passado sombrio. Sombrio na visão dos inconformados, mas satisfatório na visão de povos destituídos de liberdade de pensamento. O gene do conformismo passado de pai para filho durante gerações vem de encontro ao que ditadores e tiranos esperam de seus comandados.

  Roxane perdera os pais aos quinze anos de idade. Não aceitou tutela e viveu sozinha no imenso casarão de um bairro nobre. Promovia debates e palestras todos os fins de semana com as amigas. Arregimentou quase trinta moças e fundou A Irmandade da Renovação. A fidelidade, a discrição e o segredo, eram a tônica. Pais, irmãos, namorados, não podiam sequer imaginar a finalidade dos encontros.

  — Roxane..., não será uma luta inglória nossa pretensão?

  Havia razão para Jenifer proferir tal pergunta. Tratava-se da mais recente Irmã a aderir ao grupo e como tal nutria grande dificuldade imaginar uma reviravolta no status quo.

  — Minha cara Irmã – respondeu. – Nossa luta não será um fim em si mesma. Será apenas a semente lançada ao solo para que futuramente alguém inicie a grande colheita.

  Sendo ou não da Irmandade o tratamento e o nível de amizade era o mesmo. Na visão de Roxane um grupo exclusivista e radical tornar-se-ia vulnerável. Assim sendo todas as atividades do dia a dia eram completamente normais, chegando ao ponto de pequenos desentendimentos serem esquecidos ou postergados em prol dos seus ideais. Porém, Laura Anderson, uma das mais antigas – que junto com Mariane e Roxane fundaram a Irmandade –, postava-se bem mais radical. Nem todas, porém, alcançavam a distância de Roxane no que concerne a um projeto contínuo. Impulsivamente pensavam em plantar e imediatamente colher os frutos. Mariane uma morena de cabelos pretos quase na cintura, com olhar misterioso e penetrante – aquela que os rapazes sonhavam e se desmanchavam em elogios. – Monitora de sua classe usava seu poder inato de persuasão para convencer as meninas. E o grupo em apenas dois anos alcançava vinte e oito moças que juraram fidelidade e participavam ativamente.

  Nas reuniões, portanto, o discurso tomava ares impactantes transformando meninas dóceis e comportadas em verdadeiras lutadoras pelo ideal.

  Minhas amigas... Temos consciência de que dificilmente chegaremos a cargos de poder. Muitas talvez alcancem profissões que mesmo extremamente importantes não proporcionem mudanças significativas. Mas prestem atenção... Podem influenciar seus pais, maridos e irmãos. Nosso comprometimento com a causa vai de encontro com o comprometimento pelas filiadas da Irmandade. Nosso interesse não é destruir o homem, nem tomar o seu lugar. Nossa luta é pela igualdade, pela oportunidade de concorrer de igual para igual.”

  Laura levantou-se de sua cadeira e pediu a palavra:

  — Vocês sempre souberam da minha postura radical. Comparo os nossos tempos a uma guerra silenciosa, obscura, e numa guerra você mata ou morre. O sistema nunca se modificará, tenho certeza. Tenho absoluta certeza que nunca darão espaço para as mulheres.

  — Mas no passado conseguimos muita coisa... – assentiu Roxane.

  — No passado... Ah, no passado o mundo era integrado, interligado por conexões virtuais. Sistemas abertos e igualitários influenciavam os governos e as conquistas ideológicas eram implantadas aos poucos. Agora, Roxane, só há um sistema. Não sofre influência de ninguém a não ser de si mesmo. Não há uma sociedade a espelhar-se a não ser em um passado distante. Não há nada lá fora ou se há não sabemos o que é.

  — Há sim, Laura. Lá fora estão os que não se coadunam com o sistema. Talvez por isso não haja necessidade de presídios.

  — E o que é o “lá fora”? Alguém já informou? Um mundo de monstros que devoram os deserdados? Ora pessoal... Proponho uma atitude muito mais concisa, Irmãs. Temos que destruir os homens.

  — Destruir os homens será destruir nossos pais, nossos irmãos.

  — Não, Mariane; quando digo destruir não quer dizer matar. Destruir no sentido desmoralizá-los, boicotá-los. Não seguirmos suas regras e orientações, não comprarmos em suas lojas. Roubá-los até.

  — Roubá-los? – retrucou Roxane. – Aí estaremos andando para trás. Não é por aí que devemos iniciar uma revolução.

  — Vocês são muito ingênuas, garotas. Enquanto estamos aqui discutindo, gerando filhos, amamentando-os, os homens estão por aí mandando e desmandando. Chegam à noite vomitando arrogância e nós temos obrigação de abrir as pernas para eles.

 Eis que Débora levanta a mão e pede a palavra:

  — Roxane, estou muito assustada. Temo que nos descubram e me mandem para longe de minha família.

  — Então, você prefere o comodismo da subserviência?

  — Talvez. Será muito difícil convencer milhares de mulheres dóceis, filhas amáveis e esposas fiéis de uma hora para outra levantarem bandeiras contra a masculinidade.

  —Mas não é isso a que nos propomos, Débora.

  — Mas é o que propõe a Irmã Laura.

  —Isso é normal, minha Irmã – aventou Roxane tentando minimizar o efeito das palavras contundentes de Laura. – Em todos os processos existem discordâncias, mas discutiremos tudo à exaustão.

  — Roxane, eu preciso que me entenda. Estou fora!

  Todas as meninas calaram. Era como uma nuvem negra a abater-lhes as aspirações. Um gosto amargo de fel impregnando suas bocas sedentas de idealismo.

  — Vocês não imaginam no que estão se metendo. A sociedade machista, o sistema fascista, esmagará qualquer rebelião.

  — Não, Débora. Você está errada... Não faremos uma rebelião pelas armas e sim pela consciência.

  – Lembrem-se de que os livros de história contam que num passado distante um Messias tentou enfrentar o Império Romano implantando novas formas de agir e pensar. Vocês sabem no que deu!...

  — Você se refere a Jesus Cristo? Ora Débora... Ele conseguiu, sim! Precisou se tornar um mártir, mas conseguiu.

  — E o que vocês pretendem? Tornarem-se mártires?

  —Débora, não existem mais...

  — Eu sei. Há séculos as execuções e os presídios foram extintos, porém eu lhe pergunto... – e a plateia composta de quase trinta adolescentes não se manifestava diante do debate acalorado. – Alguém aí entre vocês – e virou-se para as Irmãs – pode afirmar com clareza para onde são mandados os condenados? Semana passada uma mulher do meu bairro com atitudes voltadas para o lesbianismo desapareceu como por encanto. Nunca mais se ouviu falar dela.

  Jenifer levantou-se prontamente e se fez ouvir:

  — No ano passado uma vizinha saiu para trabalhar e nunca mais apareceu. Seus parentes procuraram-na em vão. Recorreram à polícia e até aos escalões políticos e nada. O boato que correu no bairro é que ela traía o marido. Disseram que havia sido convocada várias vezes para dar depoimentos, até que então...

  — Sumiu para sempre... – asseverou Débora.

  — É, sumiu.

  — Estão vendo, minhas amigas. Todas vocês devem conhecer fatos relacionados a vizinhos e parentes. Estamos aqui na casa de Roxane brincando com fogo.

  — Mas, Débora! Você quer que desistamos do nosso ideal e fiquemos indefinidamente a mercê deste sistema opressor? É o que você pretende?

  — Eu não sei de mais nada, Roxane. Não sei de mais nada.

 — Você não acha que o medo impede mudanças? Não seria hora de nos rebelarmos de uma vez por todas? Se todas as mulheres em cada canto de nosso país levantassem seus bumbuns e clamassem por seus direitos... São séculos de leniência e subserviência ao sexo masculino.

  — Mas, Roxane, o mundo sempre foi assim.

  — Não, Débora. Os livros contam que num dado momento da história, talvez mil anos atrás, as mulheres tiveram igualdade. Conseguiram cargos importantes. Foram presidentas, ministras, governadoras. Presidiram empresas das mais importantes no mundo.

  Você é uma sonhadora, minha Irmã. Tempos tão longínquos que se perderam na poeira da ilusão.

  —Não, não foi ilusão. Foi pura realidade.

  — Realidade? Como as conquistas espaciais, a tecnologia, a democracia? Tudo muito bonito nos livros de história.

 — Mas podem voltar – rebateu Juliete.

  — Pode, Irmã – retrucou Débora virando-se para ela que ocupava duas cadeiras atrás. – Tudo pode voltar... As guerras, as disputas religiosas. Todos os sistemas têm suas falhas e seus acertos. Não pensem que nos tempos antigos tudo era maravilhoso. O que existe hoje pode ser considerado como o somatório de tantos séculos de erros. Estamos afundando cada vez mais na lama da imoralidade.

  —E é para isso que estamos aqui debatendo, Irmã.

  — Minhas amigas... – e pausou como dando um tempo para reflexão. – Meu ideal é o mesmo de vocês, não pensem de outra maneira, mas temo por nossas vidas. Não sei até onde “eles” se manterão alheios às nossas intenções.

  — Há pelo menos dois anos que nos reunimos e nunca aconteceu nada – concluiu Juliete.

  — Por isso mesmo. No princípio não passávamos de meninas mimadas da classe média debatendo ideias. O tempo foi passando e nosso grupo aumentando e tomando forma de rebelião.

  — E como poderiam nos identificar? Você acha que alguém poderia nos trair?

 — Bastaria que um parente ou namorado desconfiasse de nossas reuniões.

  — Está bem, Débora. Não nos alonguemos mais. Proponho uma votação para decidirmos o que fazer. Quem quiser pular fora, como Débora, que o faça agora. As que continuarem terão que ir até o fim, sofram as sanções que sofrerem.

  — Roxane! – interrompeu Jenifer.– Ouvi falar que os condenados são mandados para o fim do mundo.

  —Deixa de bobagens, Jenifer. Fim de mundo... O que é isso? Pessoas que somem, fim de mundo, tudo besteiras.

  — Eu vou com Débora – afirmou. – Estou fora.

  — Mais alguém? – redarguiu Roxane dirigindo-se às demais com veemência.

  O silêncio pairou no pequeno auditório dentro do galpão. Nos fundos do quintal de Roxane, acobertadas por muros de três metros de altura, sentiam-se protegidas; bem, até aquele instante. Até que Débora abrisse os olhos daquele grupo de meninas onde a única intenção era a luta pela igualdade.

  —Não participarei de mais nenhuma reunião, fiquem tranquilas. Nunca sairá de minha boca alguma palavra sobre a Irmandade. Porém se algum dia vocês forem pegas, lembrem-se de que não mais pertenço ao grupo.

  —É uma pena, minha cara, pois não posso mais chamá-la de Irmã. Não a condeno, pois é livre para desistir, mas infelizmente pessoas como você impedem a transformação da sociedade.

  — Desculpem, amigas – e se retirou.

  Débora e Jenifer despediram-se e deixaram silenciosamente a casa de Roxane. A Irmandade acabara de sofrer as primeiras baixas desde quando fora criada. Perplexas e introspectivas olharam a líder como a esperar palavras de consolo. Palavras que corroborassem seus anseios e expurgassem as dúvidas que Débora então havia semeado. Como a pressentir o desejo de explicações, Roxane fala:

  A reunião de hoje está encerrada. As Irmãs que ficaram por livre e espontânea vontade, a partir de agora, estão compromissadas como nosso objetivo. Darão o sangue pela missão independentemente do que possam sofrer. Não estamos aqui discutindo o sexo dos anjos e sim o futuro de Esperanza. O futuro da humanidade. Se querem que tudo continue na mesma, ainda é tempo de desistirem e correrem para o conforto de seus lares e a segurança de seus pais. Discutiremos o enfoque de nossa Irmã Laura para que possamos decidir sobre uma ação mais contundente. Laura presidirá a próxima reunião na quarta-feira à noite e explicitará suasideias radicais

para que debatemo-las.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desalmo - Marcelo Cavalcante - Lançamento

Uma morte numa briga, resultante de uma discussão trivial, desencadeia uma rede interminável de vinganças envolvendo duas famílias tradicionais do sertão cearense. Um crescente de violência deságua em paroxismo e as ações fogem ao controle das partes que perseveram por mais de vinte anos numa guerra insana, pontilhada de perversidades e atos corajosos e generosos. A motivação de tudo são os sentimentos da honra e as ligações de sangue.
Independente de tal rixa, perpetuada nas mentes dos envolvidos, ensejar a decadência das famílias, estas perseveram numa intolerância que em muito supera a razoabilidade e a prudência humanas.
O coroamento da tragédia se dá quando, neste panorama assombroso, surge a figura mística de Leoldo que retorna ao seio da família após anos de sumiço sem notícias. Através de ações místico-religiosas, ideias manipuladas consoante o seu entendimento, o homem santo aparentemente conjura finalmente, através de violência inaudita, a sucessão de mortes por força de atos vingativos.
Apesar da paz aparente, anos depois se desvela um personagem que busca recompor a justiça, através de uma vingança definitiva, efetivando a extinção física de pessoas que possam dar continuidade a aquele processo, pois que, para ele, inexistem laços de honra ou de sangue.

Os Heróis da" Selva d´Pedras" - Guido Campos : Guerreiro, honrado Sobrevivente



"Selva de P'edras"- Mostra a dura relidade do dependente químico. Traz, porém, a ESPERANÇA.

O desejo de ser LIVRE,  renova a percepção do "Eu" e dá inicio ao processo
de autorresgate que, não se dá de forma fácil e tranquila.   Muitas dificuldades a serem enfrentadas, algumas recaídas, entretanto, podem e serão vencidas, se houver EMPENHO e PERSISTÊNCIA.

Nos dias que correm, quando assistimos nossos jovens optarem por essa trilha, esse difícil caminho da drogadição é com muita satisfação e  alegria que, vemos aqueles que fazem o caminho de volta. Verdadeiros heróis, honrosos sobreviventes.


PARABÉNS A TODOS QUE PROVAM QUE, ESSE ´NEM SEM SEMPRE É UM CAMINHO SEM VOLTA.
PARABÉNS PARA VOCÊ - GUIDO CAMPOS