De que falam essas canções de alagaduns
tão temperadas de samba, rock, maxixe e lundus?
O que dizem esses meninos ainda tão crus,
poetas vestidos de hinos num mundo de nus?
Falam da arte como um sentimento profundo
em profanos folhetins de papiros semeiam poemas
nestes anos sem fins de vampiros e veias abertas
aos salmos desertos (e afins a) de sortidos gurus
que, no não pertencimento, desconhecem os temas
e não sabem xaxado, baião, xote ou lundus...
De que falam essas canções de alagaduns
tão temperadas de samba, rock, maxixe e lundus?
O que dizem esses meninos ainda tão crus,
poetas vestidos de hinos num mundo de nus?
Dizem seus amores/dores/desamores sem meias palavras
como insanos amantes a lamber suas crias
e neste rompante nada cria quando a vontade entreva/trava
a canção (da terra) nascente no romper do dia...
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Olhos - In. Os pés que levam
Olhe nos meus olhos
para que eu possa ver
você pelo avesso
o seu coração de gesso
enfeitado com o glacê
que sobrou daquele nosso começo
que tinha uma lua de prata
nos servindo de adereço
e um mago tocando flauta
sobre os tantos berços
vazios de filhos
como ilhas desertas.
Tente ver pelos meus olhos
as lágrimas, as páginas, as lástimas,
as dádivas, as mágicas, os préstimos
que desaprendi no decorrer da vida,
no corromper da carne viva
a se esboroar nos percalços
a se desfazer no cansaço,
na fadiga lenta de quem cansou inteiro os passos
e gastou seu tempo,
antes do tempo derradeiro.
Olhe nos meus olhos
pra que ninguém possa saber
que amei às cegas
que fui piegas,
que fiz aqueles poemas
chorei minhas penas
e sobrevivi à regra
de não ter a alma pequena.
para que eu possa ver
você pelo avesso
o seu coração de gesso
enfeitado com o glacê
que sobrou daquele nosso começo
que tinha uma lua de prata
nos servindo de adereço
e um mago tocando flauta
sobre os tantos berços
vazios de filhos
como ilhas desertas.
Tente ver pelos meus olhos
as lágrimas, as páginas, as lástimas,
as dádivas, as mágicas, os préstimos
que desaprendi no decorrer da vida,
no corromper da carne viva
a se esboroar nos percalços
a se desfazer no cansaço,
na fadiga lenta de quem cansou inteiro os passos
e gastou seu tempo,
antes do tempo derradeiro.
Olhe nos meus olhos
pra que ninguém possa saber
que amei às cegas
que fui piegas,
que fiz aqueles poemas
chorei minhas penas
e sobrevivi à regra
de não ter a alma pequena.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Sonhar - In os pés que levam
Eu posso sonhar ser
um ser no universo
que pode recriar
os imperfeitos versos
de saudades esquecidas
naqueles tempos de ninar.
E se este sonhar acordado
for permitido e tolerado
trarei os segredos não revelados
no lusco-fusco dos sentimentos,
pois o pertencimento
é como o vento
em seus lamentos emaranhados.
um ser no universo
que pode recriar
os imperfeitos versos
de saudades esquecidas
naqueles tempos de ninar.
E se este sonhar acordado
for permitido e tolerado
trarei os segredos não revelados
no lusco-fusco dos sentimentos,
pois o pertencimento
é como o vento
em seus lamentos emaranhados.
Transientes - In . Os pés que levam
Sou um poeta rarefeito,
levo no peito a canção predileta do meu povo,
levo saudades estreitas: seta, tempo e estorvo.
Sou a criança imperfeita,
tenho no jeito a afeição dos abandonados,
tenho bondades feitas de certas crueldades.
Sou o amante desses leitos
de estranho tesão e coitos brutos ou incertos,
de ternura aberta em dor de irresolutos desertos.
E se das juras se cria a promessa incompleta,
se me faço e meço demiurgo poeta,
decerto os sonhos puídos e estiolados
ficam contidos e não contados,
são ruídos, transientes desencantados.
domingo, 26 de maio de 2013
ETC & TAL - Marcelo Cavalcante / César Ceará
como num sonho, / estranho sonho, /
eu me vi só
sem paradeiro / em solo estrangeiro /
perdido em mim / terra e capim /
tudo tão ruim / enterro e fim
como um espelho / reflexo e medo
eu me vi só
sem sexo ou alma / deserto e calma
encontro em mim / restos de cauim
o não e o sim / despertos em mim.
vi bebedeiras em funeral
o valor vencido, impessoal
tanta doideira em tribunal
bebi a raiva do temporal
atravessei o que é normal
um açucareiro de fel e sal.
falei em defesa do pantanal
meu amor, perdi o luar
numa vereda marginal
tantas penas pra pagar
cansei do cansaço desigual
de quem morre em vida pra sonhar.
vi bagaceiras em catedral
o amor vendido sensacional
tanta besteira no seu jornal
bebi a raiva do temporal
atravessei o que é normal
seu travesseiro de mel e mal.
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