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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Biografia - Marco Alcane - Escritor

Escritor brasileiro que cultiva o gênero policial/suspense, tendo criado a personagem André Emmer, um delegado de polícia que se aposentou precocemente, com severos problemas de depressão.
O seu projeto literário se estrutura e se completa em 40 livros, sendo o primeiro “Emmer decide viver” e o último “Emmer decide morrer”.
A sua literatura não se restringe às aventuras policialescas, pois exprime uma grande síntese da sociedade brasileira, retratando a riqueza e a pobreza, os poderosos e os desvalidos, os fatos enobrecedores e as perversidades humanas. Neste seu propósito, a sua formação em filosofia lhe serve como subsídio para uma concepção que busca, além do entretenimento, chamar a atenção para algumas questões sociais que reputa como fundamentais para a sociedade brasileira.
Aposentado, arredio e infenso às celebrações sociais, cultiva uma intransigente defesa da sua privacidade, não concedendo entrevistas ou participando de quaisquer acontecimentos, inclusive noites de autógrafos. Vive com a família em um sítio no interior do estado, numa localidade onde os poucos vizinhos raramente o encontram e desconhecem esta sua particularidade literária.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Poesia : "Das Estradas" - In. Semblantes e Noturno - Autor- Marcelo Cavalcante

Das estradas Na viagem dois caminhos apartados, duas marchas diversas e sem rumo definido, e sem consciência maior sobre o pé negro do asfalto e o próprio pé. Nos corações resta uma tristeza do vazio, do amor disperso e dos rumos impossíveis de pesadelos críveis de que o sonho é a certeza de ir só. Nestas estradas díspares os sorrisos desunidos formaram tortos versos, dispersaram as rezas e nem esperaram a lua que ri do ir e vir da estrada e do pé. E mesmo chorando todos os males, bebendo todos os mares, rimando os erres e erros ficamos nos ermos das misérias apequenados nas estradas e nos pés.

"Recados" - In Semblantes e Noturnos - Autor Marcelo Cavalcante

Recados Olha, filho! Cuidado com a maturidade, ela traz as cargas pesadas da disciplina e isso combina com um medo sem limites de ser em si dentro do mundo. Ele traz a incerteza de um sofrimento eterno, da herança paterna, do mundo dentro de si. Olha, filho! Cuidado com a neutralidade, ela faz suar frio sob a neblina, no escuro do quarto, as coisas no avesso do mundo. Ela traz a avareza de risos e desemboca numa beleza estranha do mundo esperando as coisas. Melhor se desorientar, prescindir de bússola e se perder dentro do mundo antes que ele se perca dentro de você.

domingo, 5 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

"NÃO TENHO TEMPO" - Autor - Neimar de Barros

"Sabe meu filho,Até hoje não tive tempo para brincar com você. Arranjei tempo prá tudo, menos para ver você crescer. Nunca joguei dominó,dama,xadrezou batalha naval com você. Percebo que você me rodeia, mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo...Sou importante para números, convite - sociais, uma serie de compromissos inadiáveis...E largar tudo isso para sentar no chão com você...Não, não tenho tempo. Um dia você veio com o caderno da escola pro meu lado,não liguei, continuei lendo o jornal afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os da minha casa. Nunca vi o seu boletim nem sei quem é a sua professora, não sei nem qual foi a sua primeira palavra, também, você entende... não tenho tempo...de que adianta saber as mínimas coisas de você se eu tenho outras grandes coisas a saber? Puxa, como você cresceu!você já passou da minha cintura. Está alto! eu não havia reparado isso aliás, não reparo quase nada, minha vida é corrida, e quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora e se uso aqui, perco-me calado diante da TV, porque a TV é importante e me informa muito...Sabe, meu filho...A última vez que tive tempo para você, foi numa cama, quando o fizemos! Sei que vecê se queixa, que você sente falta de uma palavra, de uma pergunta minha, de um corre-corre, de um chute na sua bola mas eu não tenho tempo...Sei que você sente falta do abraço e do riso de andar a pé até a padaria para comprar guaraná, de andar a pé até o jornaleiro para comprar "Pato Donald", mas sabe, há quanto tempo que não ando a pé na rua? Não tenho tempo...Mas você entende, sou um homem importante, tenho que dar atenção a muita gente,dependo delas... Filho, você não entende de comércio...!na realidade, sou um homem sem tempo!sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que falamos é monólogo, só eu falo, e noventa e nove per cento é bronca: Quero silêncio, quero sossego! e você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente,você tem mania de querer pular nos braços dos outros...filho, não tenho tempo para abraçá-lo,não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança. Filho,O que você entende de computador, comunicação, cibernética, racionalismo? você sabe quem é Marcuse, Mac Luan? Como é que vou parar para conversar com você? Sabe filho, Não tenho tempo, mas o pior de tudo,o pior de tudo é que...Se você morresse agora, já, neste instante, eu ficaria, com um peso na consciência porque ate hoje não arrumei tempo prá brincar com você,E na outra vida, por certo, Deus não TERÁ TEMPO de me deixar, pelo menos, vê-lo!"